Por um erro de finalização do programa distribuído para o público presente na cerimônia de entrega do 6º Prêmio APTR de Teatro, o texto de Luis Erlanger, da Central Globo de Comunicação, teve o seu final cortado. Reproduzimos aqui o texto na íntegra, como deveria ter sido publicado. Recomendamos a todos a leitura e pedimos desculpa ao Luis Erlanger e a todos pelo erro.
Segue o texto:
“Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre serei um homem de teatro. Quem é capaz de dedicar toda a vida à humanidade e à paixão existentes nestes metros de tablado, esse é um homem de teatro.”
Quem viu Paulo Autran recitar pela primeira vez, naquele 21/04/65, o texto de Millôr e Flávio Rangel, viu algo não apenas histórico, mas único. Como dizia ( imagino que sem se repetir ) Heráclito, “ninguém mergulha duas vezes no mesmo rio”. Essa é a essência do teatro. A representação ao vivo e a interação com o público tornam cada apresentação singular.
Mas, se a mágica da arte cênica é inigualável, os limites físicos a fazem para poucos. É aí que entra a TV, tornando possível, ao seu jeito, encenar uma história para muitos, levar o talento de autores, artistas e diretores a milhões.
Só que o teatro é mesmo a base da teledramaturgia. Assim como a sociedade, a TV precisa do teatro como fonte. E essa parceria, ao menos no nosso caso, busca fortalecer o teatro.
Na Rede Globo, a divulgação gratuita publicitária de peças teatrais equivale a mais de R$ 140 milhões desde 2000, sem contar campanhas institucionais, como a de combate à fraude na meia entrada. Só nos últimos cinco anos, apoiamos mais de 700 peças. Isso sem falar na divulgação nos programas e no jornalismo. E no Portal Globo Teatro, que há três anos promove nosso teatro na internet, transformando-se cada vez mais numa ferramenta assumidamente promocional.
Se aqui Teatro e TV formam uma família, é porque tem o mesmo DNA: a cultura ( especialmente a brasileira ) e a liberdade de expressão. Somos fruto e alimentamos a identidade nacional porque somos livres para ser quem somos.
Assim, quando, a qualquer pretexto, cismam de apagar os holofotes ( ou mesmo controlar o foco ), não custa repetir que “ o preço da liberdade é a eterna vigilância” (*).
A tribo do teatro tem sido uma brava guardiã.
Luis Erlanger
Central Globo de Comunicação
ps.: Quando, ainda no Jornalismo, estive pela primeira vez no Projac, quase tive um troço: em pleno 2000 deparei-me com Galileu Galilei! Bem, era ele, Cláudio Corrêa e Castro, um dos recordistas de participação em telenovelas no Brasil ( quase 50 trabalhos) mas para sempre o “meu Galileu”. Acredito que essa montagem do José Celso Martinez do texto de Bertolt Brecht teve grande influência na decisão de ser jornalista. Bem, nunca tive queda para Astronomia.
(*) atribuída a Thomas Jefferson e igualmente citada em “Liberdade Liberdade”, que abre esse texto
